Escorrego. [De escorregar] 1. V. escorregadela. 
2 . Bras., N. E. V. escorregador (3). 
Catita. Designação Animais muito delicados, de hábitos noturnos, orelhas grandes, 
cauda longa, se alimentam de frutos e de insetos. O popular rato pequeno. 

Em arapiraquês, "escorrego da catita" é um bairro, 
que dá acesso ao Rabo da Gata, ao Baixão e ao bairro cacimbas. 

Trago de volta à cena meu velho blog, que nunca morreu. E apresento aos que nunca estiveram por aqui antes.
<Escorrego da catita>
escorrego da catita

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Sábado, Agosto 16, 2008
Foram meses
Que tiveram como resultado
Um coração partido
E um fígado dilacerado...

posted by <$catita$> Sábado, Agosto 16, 2008
Quinta-feira, Agosto 07, 2008
NO CORPO

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

Ferreira Gullar


posted by <$catita$> Quinta-feira, Agosto 07, 2008
Domingo, Julho 27, 2008
Já perdi as contas de quantas cenas perdi e jamais foram registradas. Já me lamentei muito por não estar com uma câmera engatilhada em várias situações, para registrar aquilo que só os meus olhos puderam testemunhar. Às vezes dava vontade que os olhos tivessem o poder de clicar e armazenar imagens, para que apenas bastasse um piscar de olhos e pronto! Essa semana eu observava mais uma dessas cenas em que até tive a oportunidade de registrar, mas a câmera estava descarregada naquele momento. Da janela do meu quarto enquadrava-se perfeitamente, em diagonal, um coqueiro, no qual estava um homem e ao redor do enquadramento, como que uma borda, o trabalho espontâneo da natureza: as arvóres entre a minha casa e o coqueiro cumpriam esse papel. A cena durou minutos, mas não o suficiente para que eu pudesse registrar. Mais uma lamentação. Fui observar, no outro dia, novamente na janela. Tive a infeliz constatação de que aquela cena ficou perdida para sempre. O homem que subia no coqueiro, na verdade, estava a derrubá-lo. O coqueiro saiu do cenário; permaneceu minha lamentação.
posted by <$catita$> Domingo, Julho 27, 2008
Domingo, Julho 20, 2008
Tiras infantis


A mãe leva o menino para o comércio, mas se arrepende logo no primeiro minuto. Sem nem precisar da publicidade, além da ajuda da publicidade, ele queria comprar tudo o que na frente. Tinha fome de tudo, todas as necessidades possíveis, que variavam conforme os objetos dispostos na próxima vitrine. Aquelas horas já estavam insuportáveis para a pobre mãe, que já não podia calcular o seu arrependimento, nem o quanto custaria se fosse comprar tudo o que o pequeno propôs naquela tarde. Quando já estava quase farta, esperando a condução com o menino no colo, e já lhe explicando que estava pedindo demais, eis que ele se sai com as últimas colocações.

- Mãe, eu tô vendo um coelho!


- Tá certo - responde a mãe, como quem não lhe dá muita atenção.


- Mãe, menino come coelho? - pergunta o menino com os olhos fixos no estabelecimento comercial.


- Come, meu filho - responde novamente a mãe.


- Então...eu quero comer coelhoooooooooo!!!!
Riso geral no ponto do ônibus.

posted by <$catita$> Domingo, Julho 20, 2008
Quarta-feira, Julho 16, 2008
Memórias de uma criança subversiva



As diferenças sociais não lhe eram de todo desconhecidas. Mas, naquela idade, havia muito ainda por se conhecer e compreender. Os seus olhos curiosos e a sua audaciosa linguagem faziam com que, volta e meia, questionasse ao adulto mais próximo "por que" aquilo era assim. E foi assim que, num dia em que sua mãe a levou para passar uma tarde em seu local de trabalho, a pequena se pôs a pensar. E isso era algo que ela fazia com muita criatividade. Era um ambiente escolar da rede pública, situado em um dos estados mais pobres da federação na qual havia nascido. Prédio simples, com um pátio no meio do terreno, salas de aula, carteiras e quadro o mais simples possível. Ela observava, da janela da administração da instituição, as crianças brincando no pátio. Queria muito brincar também, mas sabia que não seria apenas aquela parede que a separaria das demais crianças. Tinha dois bombons na mão. Enquanto comia um, segurava o outro. Três meninas foram até a janela e lhe pediram um chocolate. Ela deu o bombom que segurava e, por azar, quando uma das meninas abria a embalagem, o chocolate caiu no chão. Ela lamentava, pois aquele era o último. As meninas ainda lhe fizeram outras perguntas e, no término do recreio, voltaram às suas salas. Para ela, aquela tarde toda era recreio. Recreio silencioso, que partia do seu olhar da janela para aquele pequeno mundo. Ainda circulou por algumas salas e, no fim das contas, achava que aquele ambiente era bem diferente daquele em que estudava. Logo ela, que estudava em um lugar que tinha, literalmente, o formato de um castelo! Por que era assim? a vida ainda haveria de ensiná-la mais à frente. Ainda pôde presenciar uma lição nada pedagógica que uma professora dava a uma aluna um pouco mais velha que os demais de sua turma. Depois de passar aquela tarde presenciando todas as cenas que viu e que sua mente infantil permitiu questionar, voltou-se para a mãe e perguntou: por que eu não estudo aqui? - a pergunta tinha um certo tom de choque e, ao mesmo tempo, uma vontade de estar perto da mãe. A mãe respondia o que a vida tratou de respondê-la mais adiante, com palavras mais completas: "Porque aqui é para outras crianças. Mas a sua escola é boa, tem coisas que aqui não tem". No futuro ela iria entender porquê não poderia estar sentada ali naquelas carteiras junto daquelas crianças. O caminho que ela escolheu certamente não seria também o que todas as outras tiveram de escolher. Entre a janela, os dois bombons em sua mão, o seu olhar curioso e as perguntas curiosas das outras crianças, havia muito mais que apenas uma parede divisória.

posted by <$catita$> Quarta-feira, Julho 16, 2008
Domingo, Julho 06, 2008
Tem pérolas que você só encontra na atividade docente

A professora acha estranho os conteúdos dos trabalhos e vai dar aquela conferida, pra constatar se "por acaso" não foram copiados. Encontra, na rede mundial de computadores, os verdadeiros autores. Isso causa impacto na nota conferida aos trabalhos. A professora explica aos alunos e indica, em cada um, a fonte onde encontrou as cópias. Eis que uma aluna, para enobrecer sua conduta, justifica para a professora: "olha, professora, a senhora disse que os trabalhos foram copiados da internet, mas o meu foi copiado do livro da Marilena Chauí". Ah, bom, sua cópia é mais nobre que as demais...

posted by <$catita$> Domingo, Julho 06, 2008
Segunda-feira, Junho 30, 2008
A julgar pela semelhança das situações, ela começou a achar que tratava-se de uma segunda chance. A situação era nova, mas com traços e coloridos muito familiares. Parecia que tudo o que não havia sido feito antes, deveria ser feito agora. Os excessos também deveriam ser revistos. Enfim, ela sabia que operava a coincidência, mas se surpreendia com tamanha similaridade. Estava mais serena, isso era o mais importante.
posted by <$catita$> Segunda-feira, Junho 30, 2008
Domingo, Junho 29, 2008
Férias chegando...
posted by <$catita$> Domingo, Junho 29, 2008
Terça-feira, Junho 24, 2008
Para um amigo sincero...

La rosa bianca

"Coltivo una rosa bianca
in luglio come in gennaio,
per l’amico sincero
che mi dà la sua mano franca."

posted by <$catita$> Terça-feira, Junho 24, 2008
Sábado, Junho 14, 2008
Histórias do Veraneio
Episódio - O Estranho Ritual

Ela não era lá aquela referência de gata muito esperta. Vivia, inclusive, levando surras das gatas vizinhas, que praticavam violência delivery : iam até a sua casa, danavam-se a bater nela e saíam, impunemente, pela brecha da janela. Era assim frequentemente.
Mas dentre as poucas coisas que essa gata aprendeu a fazer na vida, naquele mundinho resumido que sequer atravessava o muro do condomínio onde habitava, ela aprendeu a identificar o barulhinho da ração balançando dentro do pote de vidro, que indicava a hora em que seu prato ficaria cheio.
Poderia estar em qualquer ponto da casa, mas ao ouvir aquele barulhinho, corria para perto do prato, pois sabia que estava próxima da comida.
Numa certa noite, ao procurar a gata pela casa e não encontrar, uma de suas donas lembrou da “tática” do pote de ração. Começou a balançar o bendito pote e nada da gata aparecer. Foi mais além: abriu a porta da sala e dirigiu-se à parte comunitária do condomínio, sempre balançando o pote de ração. Era bem tarde, ela achava que estava sozinha – longe de olhos externos - realizando aquele ato. Mas a vida comunitária sempre surpreende. Eis que um vizinho silenciosamente observava aquele movimento de longe: “o que será aquilo?” – pensava ele – “seria alguma espécie de ritual?”. A julgar pelas inúmeras manias e crenças adotadas pelos seres humanos, não seria de surpreender.
Eis que, numa das voltas com o pote na mão, sempre balançando, a dona da gata depara-se frontalmente com o vizinho e, com o sorriso amarelo típico de quem se sente extravagante, tenta explicar da melhor forma possível: “Ah, isso aqui é pra chamar a Madalena. É que quando ela escuta o barulhinho da ração, vem correndo pra perto”. O vizinho responde: “ah, bom, pensei que fosse algum ritual!”. A dona da gata só consegue rir diante da cena: uma espécie de toré individual, com um pote de vidro no lugar do chocalho. Eis que, para não deixar mentir a pobre criatura – e, naquele momento, isso parecia crucial -, aparece a gata em alta velocidade, vindo ao seu encontro. “Olha aí, não falei?”. A fala tinha aquele ar de alívio, de quem já estava se sentindo ridícula o suficiente para aquele momento. Todos entraram em suas casas. Madalena também. Era mais uma noite no Veraneio.

posted by <$catita$> Sábado, Junho 14, 2008
Sim, esse blog será revitalizado!!..........
posted by <$catita$> Sábado, Junho 14, 2008
Domingo, Maio 04, 2008
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!" (Florbela Espanca)
posted by <$catita$> Domingo, Maio 04, 2008
Sexta-feira, Maio 02, 2008
Dizem que a inquisição sucumbiu junto com Idade Média. Pois, séculos depois, eu me sinto impelida a afirmar, diante dos meus inquisidores, que o sol gira em torno da terra...
posted by <$catita$> Sexta-feira, Maio 02, 2008
Segunda-feira, Março 10, 2008
oh, meu blog, eu sinto muito por não ter postado ultimamente. mas sinto que te darei um pouco mais de atenção daqui pra frente.
posted by <$catita$> Segunda-feira, Março 10, 2008
Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
A consciência da Madalena

Como de costume, vou lavar os pratos e a Madalena acha de se deitar bem em cima dos meus pés e, claro, me atrapalha um bocado. Eu fico praticamente sem conseguir me mexer e acabo não fazendo nada direito. Eis que eu tive uma idéia: jogar uns pingos de água nela pra ver se ela sai correndo. Molho a mão e fico jogando de pinguinho em cima dela. Ela, indiferente, continua lá, estática. Eis que num momento, ela olha pra mim e aí sim vê que estou jogando água nela. Nesse momento, ela arregala os olhos e sai correndo. Como num desenho animado, só sente a água na medida em que viu. Mesmo sabendo que ali reina a indiferença completa, há comportamentos na minha Madá que eu sinceramente não consigo explicar. tsc tsc


posted by <$catita$> Quarta-feira, Dezembro 19, 2007



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